terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PREOCUPAÇÃO SEM SENTIDO



Quantas vezes nos lamentamos surdamente e num tédio digno de fazer dó, que toca as raias da impaciência e da ansiedade: "que manhã/tarde/noite tão grande, não há meio de o tempo passar!"
Ansiedade, vontade de fugir para a frente, para outra coisa, para outra situação, tantas vezes e quase sempre sem contornos aparentes. Queremos ir para o momento seguinte sem saborearmos primeiro, ainda que por vezes com as dificuldades inerentes, o instante presente.
Então ficamos crispados, tristes, de sobrolho carregado...inconsolados! que bobagem, que tolice!
Não teremos nós mais que garantia de que todo o tempo passa e não fica?
Não será exactamente o tempo quem comanda a marcha da mudança total e que gostaríamos de agarrar, de fazer com que fosse possível vivê-lo mais intensamente, aprender coisas e aplicá-las depois?
É o oposto do aconselhável essa preocupação "sem sentido" que nos faz desejar que o tempo passe e desesperarmos por isso não acontecer.
O momento é para agarrar o mais possível, prolongá-lo indefinidamente como se quiséssemos nunca mais encontrar o fim. Qual estátua segura e firme ali no seu lugar a que basta dar um pouco de movimento para que a vida flua no seu ritmo próprio.
Para os que queiram tomar consciência disso, dessa firmeza em movimento suave, pode ser o segredo para uma vida mais feliz: segundo a segundo, aplicar a si próprios o princípio da estátua em movimento, como que uma câmara lenta, suave, do desenrolar natural dos acontecimentos.
Sentir esse pulsar de vida que acontece em cada canto, em cada esquina das noites e dos dias que se sucedem, apreciar a surpresa e o sabor das constantes mudanças.
Sem pressas, pois o passar do tempo, esse temo-lo certo: a sucessão dos hojes aos ontens e dos amanhãs aos hojes numa cadência perfeita.
O mais importante mesmo em toda esta sucessão ininterrupta do tempo é a consciência do "momento presente", ao qual só lhe falta falar para nos dizer: VIVE! porque é aí que acontece o verdadeiro "tempo vivo" que podemos saborear sem a tal preocupação sem sentido.

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